Contextualização
Segundo a “International Ecotourism Society” (TIES) estima que entre 40-60% do turismo mundial envolvem a natureza. Sendo o ecoturismo o segmento que mais cresce.

A “World Tourism Organization” apontam o ecoturismo com quase 4% deste volume e com taxas acima da média do crescimento de turismo mundial, sendo que o turismo ecológico representa hoje, 5 a 8% do negócio turismo, devendo atingir 15% do movimento total no final de 2005.

O Instituto de Ecoturismo do Brasil (IEB) mostra que em 1994, o Ecoturismo movimentou R$ 2,2 bilhões. Em 1995, esta cifra pulou para R$ 3 bilhões, 36% em apenas um ano, muito acima da média mundial, de 20%, que já é muito superior à expansão de qualquer segmento de negócios. Para 2005 o IEB estima que o Ecoturismo deve movimentar 10,8 bilhões de dólares no Brasil.

Contudo, esta tendência do ecoturismo e das atividades na natureza de se massificarem, têm como conseqüência o aumento do impacto e a descaracterização de muitos atrativos, tanto pelo aumento das infra-estruturas de suporte, quanto da perda da biodiversidade e das características responsáveis pela vocação ecoturística local, pelo impacto direto e indireto de seu uso..

Os custos da degradação ambiental intensificado pelo ecoturismo não são pagos por aqueles que os geram, mesmo afetando a terceiros. MOTTA (1998) cita que este processo de apropriação do capital natural, sem a preocupação com os possíveis usuários excluídos (presentes ou futuros), é ignorado e pode passar desapercebido ou subestimado, visto que o uso de recursos ambientais não possui preço reconhecido no mercado, embora seu valor econômico exista, pois seu uso altera o nível de produção e de consumo dos bens de serviço atrelados a eles

Por motivos variados, de modo geral as trilhas não recebem e/ou são reconhecidas como infra-estruturas fundamentais para o manejo de visitantes e preservação de recursos naturais, embora sua importância se confirme proporcionalmente de acordo com o crescimento das atividades turísticas e esportivas na natureza.

A percepção dos impactos é crescente, não só por parte dos gestores de unidades de conservação, operadores, ecoturistas sendo que cabe ressaltar o grande trabalho de voluntariado em prol das trilhas e conservação, conduzidos por clubes afiliados à Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada - CBME, principalmente através do projeto Adote uma Montanha, originalmente concebido pela Federação de Montanhismo do Estado de São Paulo - FEMESP.

Cabe ressaltar principalmente o crescimento expressivo da produção científica acadêmica que vem sanar um dos grandes gargalos do planejamento e manejo trilhas, ao desenvolver e adaptar metodologias e conteúdos específicos, ainda relativamente difíceis de se encontrar adequados a nossa realidade. Contudo, os sinais são inegáveis tendo como exemplo o I Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em UC (Out/05), na UERJ,onde 60 % dos trabalhos apresentados no referiram sobre manejo e manutenção de trilhas direta ou indiretamente.

Assim, o I Congresso Nacional de Planejamento e Manejo de Trilhas vêm preencher uma lacuna acadêmica e técnica visando a difusão técnica de manejo de trilhas e melhores práticas, estimulando a profissionalização desta atividade e resgatando a percepção sobre a importância do planejamento e manejo de trilhas para o imenso potencial que o ecoturismo brasileiro possui, assim como a grande responsabilidade na proteção de ecossistemas e biodiversidade cultural e natural.